September 29, 2004
Não há nada como a inocência, doçura, beleza, do rosto de uma criança dormindo. Nada paga poder contemplar os filhos enquanto dormem. Pena que na nossa vida corrida sobra tão pouco tempo para pequenas e belas coisas como essa.
"Agora eu era o herói / E o meu cavalo só falava inglês / A noiva do cowboy era você além das outras três / Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões / Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei / Era o bedel e era também juiz / E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz / E você era a princesa que eu fiz coroar / E era tão linda de se admirar / Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não / Finja que agora eu era o seu brinquedo / Eu era o seu pião, o seu bicho preferido / Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo / No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim / Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim / Pois você sumiu no mundo sem me avisar / E agora eu era um louco a perguntar / O que é que a vida vai fazer de mim?" - João e Maria (Chico Buarque)
Tenho, infelizmente, bem poucas lembranças do quanto minha mãe se dedicava a mim (ciumenta como era, sempre achei que ela pensasse somente em meu irmão). Mas lembro que ela cantava sempre "João e Maria" para me fazer dormir. Dentro de mim ainda ouço sua voz cantando para mim. Marcou tanto que eu cresci achando que fosse uma normal canção de ninar, descobri já grande que era do Chico.
É talvez minha canção de ninar preferida. Com certeza, é a que mais canto para meus filhos.
Gosto de pensar que ela irá marcá-los - como a mim. Que um dia a cantarão aos próprios filhos, que - como a pequena Juliana - ficarão tão encantados que nunca mais a esquecerão.
"Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo / No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido".
islashado por Julie #
9/29/2004 07:06:00 PM
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September 22, 2004
Domingo fui com Pitchuca levar Amanda para conhecer Nápoles (Pitchuco foi devidamente abandonado com a nonna). Gente, que cidade linda. Podem dizer o que quiserem mas eu adoro o ar que se respira, a arquitetura, as paisagens.
O bom do passeio foi que visitamos uma zona que eu não conhecia. Mapinha na mão, rodamos pelo centro histórico (eu como guia sou um espetáculo à parte - timidíssima, senso de direção 0 mas tanta boa vontade). Ainda tivemos a sorte de presenciar uma grande tradição religiosa daqui: o milagre de San Gennaro, santo padroeiro de Nápoles. Num resumo bem resumido que eu nem me entendo muito dessas coisas nem estou com saco de pesquisar, a cidade inteira pára esperando saber se o sangue do santo (que, dizem, fica numa garrafinha guardada o ano inteiro) dissolveu-se. Dizem, que nos anos 80, quando o santo não fez o milagre, teve um terremoto e daí a crendice que se o sangue não derreter será um ano de má sorte. E, ainda, dizem que o milagre acontece - ou não - exatamente no dia 19 de setembro de cada ano. O napolitano por si só já é muito teatral mas ver as pessoas entrando na Catedral ansiosas por saber o "resultado", o que o "destino reservaria" para os próximos meses, foi algo inesquecível.
Voltando ao passeio, chegamos de trem em Nápoles e, como primeiro passeio "turístico", paramos na loja de produtos do "mundo". Descobri que lá tem bem mais coisas do que imaginava (que não comprei para não carregar peso) e compramos uma latinha de guaraná antarctica e uma outra de suco de coco verde. Por favor, se encontrarem uma latinha de suco de coco verde, fujam dela. O gosto era tão indecente que tivemos que jogar fora.
Pegamos um ônibus até o Corso Umberto e fomos andando até a Via Duomo. Conhecemos a Catedral (onde entramos e vimos o sangue e os restos de San Gennaro) e entramos numa viela do centro histórico (Via delle Arti), onde, segundo o meu mapa, encontraríamos várias igrejinhas. E, enfim, chegamos na Chiesa di Santa Chiara e na Chiesa del Gesù Nuovo, que são lindíssimas mas infelizmente estavam fechadas. Passamos pela Piazza del Gesù (onde ficam as duas chiese = igrejas) e fomos andando até a Piazza Municipio.
Amanda ficou de boca aberta vendo de perto o Maschio Angioino. Depois de algumas poucas fotos, fomos para a Galleria Umberto (que fica bem perto) onde minha amiga Rita estava nos esperando para um sorvete.
Nos despedimos de Rita e, com os pés acabados mas ainda cheias de vontade, fomos para a Piazza Plebiscito.
Sempre andando, levei Amanda para conhecer o Castel Dell'Ovo (eu sempre passei de carro, nunca tinha chegado perto). Ficamos lá sentadas esperando que um amigo de Amanda viesse nos salvar. Ele nos levou até Posillipo, que fica na parte alta da cidade e tem uma vista de tirar o fôlego. E depois de muito passear me levaram até a estação onde eu e Pitchuca pegamos o trem de volta para casa. Amanda ficou para comer a famosa pizza napolitana.
Fim.
Quem quiser saber mais, ver outras fotos e conhecer um pouco a história desses lugares, basta clicar abaixo. Confesso que fiz uma pesquisa rápida e praticamente não li os sites mas parecem bons.
- Centro histórico (fotos lindas, site em inglês)
- Piazza del Gesù (site em italiano)
- Chiesa del Gesù Nuovo (site em italiano)
- Igreja de Santa Chiara (fotos lindas, site em inglês)
- Maschio Angioino (fotos lindas, site em inglês)
- Piazza Plebiscito (fotos lindas, site em inglês)
- Castel Dell'Ovo (fotos lindas, site em inglês)
- Posillipo (fotos lindas, site em inglês)
islashado por Julie #
9/22/2004 08:06:00 PM
September 21, 2004
Tanta coisa para contar... Vamos ver, por onde começar?
Pitchuca teve festa sim. Fiz um bolo com crema pasticcera, chantilly e nutella (ficou lindo e delicioso), um outro de chocolate cortado em quadrados (receita brasileira), brigadeiro (nem queria fazer mas Amanda pediu e veio enrolar) e empanada. Só.
As amiguinhas dela deveriam ter sido poucas mas acabaram virando todas as meninas da sala (por sorte, faltaram algumas). No total elas eram umas 10 mas aprontaram todas, bagunçaram tudo, deixaram a casa imunda. Um estresse. Nem Cami gostou tanto da festa tanto que as meninas eram danadas. Nem pareciam pré-adolescentes. Por incrível que pareça, os mais quietos eram Pitchuco e uma amiguinha da idade dele. A casa não é grande, não é o caso fazer festa aqui. E pensar que mês que vem tem o aniversário de Pitchuco... Melhor nem pensar...
Demos a ela um conjunto lindo de calcinha e sutiã rosa, umas pulseiras de plástico que estão na moda e um livrinho com bonecas de papel (lembram?) e ela ganhou 20 quadernos para a escola (de pessoas diferentes), uma caneta, um estojo, um relógio bem legal, duas canecas, uma bolsinha, uma saia jeans e um colete invernal. Recebeu alguns cartões virtuais e dois telefonemas lindos: da vovó Help (minha mami) e de minha prima Liza (amei falar com você, prima, pena que a casa estava "caindo" quando você ligou).
Fotos? Pouquissimas, com uma máquina convencional. Ou seja, tem que esperar revelar e conseguir um scanner. Paciência.
Aguardem, amanhã ou depois, conto do meu passeio no domingo.
Pitchuca teve festa sim. Fiz um bolo com crema pasticcera, chantilly e nutella (ficou lindo e delicioso), um outro de chocolate cortado em quadrados (receita brasileira), brigadeiro (nem queria fazer mas Amanda pediu e veio enrolar) e empanada. Só.
As amiguinhas dela deveriam ter sido poucas mas acabaram virando todas as meninas da sala (por sorte, faltaram algumas). No total elas eram umas 10 mas aprontaram todas, bagunçaram tudo, deixaram a casa imunda. Um estresse. Nem Cami gostou tanto da festa tanto que as meninas eram danadas. Nem pareciam pré-adolescentes. Por incrível que pareça, os mais quietos eram Pitchuco e uma amiguinha da idade dele. A casa não é grande, não é o caso fazer festa aqui. E pensar que mês que vem tem o aniversário de Pitchuco... Melhor nem pensar...
Demos a ela um conjunto lindo de calcinha e sutiã rosa, umas pulseiras de plástico que estão na moda e um livrinho com bonecas de papel (lembram?) e ela ganhou 20 quadernos para a escola (de pessoas diferentes), uma caneta, um estojo, um relógio bem legal, duas canecas, uma bolsinha, uma saia jeans e um colete invernal. Recebeu alguns cartões virtuais e dois telefonemas lindos: da vovó Help (minha mami) e de minha prima Liza (amei falar com você, prima, pena que a casa estava "caindo" quando você ligou).
Fotos? Pouquissimas, com uma máquina convencional. Ou seja, tem que esperar revelar e conseguir um scanner. Paciência.
Aguardem, amanhã ou depois, conto do meu passeio no domingo.
islashado por Julie #
9/21/2004 08:22:00 PM
September 16, 2004
A indústria das mochilas escolares por aqui é algo impressionante. Durante todo o verão vimos o bombardamento de comerciais de novas mochilas, com novos personagens, novos acessórios, novas funções. Sim, porque a mochila não é somente o transportador de livros, é também um artigo de moda. E cada ano sai uma coisa diferente: capa de chuva incorporada, transpirante, dois compartimentos, "pesador", etc. E é óóóbvio que seu filho não vai querer usar a mochila do ano anterior, sem a capa de chuva (como alguém pode viver sem?!), com aquele personagem da televisão que está tããão fora de moda (imagine se ele vai pagar esse mico na escola!), ou que não combina com a agenda nova (ah, não pode, mochila de um e agenda de outro não pega bem). Assim, ajudados pelas propagandas televisivas, os pais desembolsam fortunas (e quando digo fortunas leiam fortunas) para o novo kit escolar (que deve ser renovado anualmente).
Na classe de Pitchuca, são pouquíssimas as crianças que utilizam a mesma mochila por mais de um ano (e Pitchuca é uma delas, claro). Mas a dela já está bem velhinha, na hora de trocar. Dei uma olhada e fiquei de cabelo em pé: os preços estão nas estrelas. Começo a olhar a mochila velha dela com outros olhos, pensando que não está tão velha assim.
Lembrei da minha mochila do ginásio cansada de guerra. Foi ela por todos os anos (nem lembro se só no ginásio ou se também no 2o grau) e a bichinha foi aposentada por absoluta incapacidade de continuar em serviço.
E lembrei também da minha inseparável calça jeans (foto ao lado, clica nela para ampliar). Linda, velha, surrada. Fiel companheira de tantos, mas tantos anos de escola. Saía do varal para o corpo, que tristeza quando demorava a enxugar. Quem estudou comigo certamente lembra dela. Numa das inúmeras vezes que pulei a janela da minha sala com a grade quebrada e enferrujada para chegar mais rapidamente na quadra, minha calça rasgou bem ali, logo embaixo da... Pensei: é melhor ficar com um pedacinho de bunda aparecendo ou usar outra calça? Optei pela bunda de fora e continuei com ela por alguns outros anos.
Velhos bons tempos...
"Você não sente não vê / Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo / Que uma nova mudança em breve vai acontecer / O que há algum tempo era novo, jovem / Hoje é antigo / E precisamos todos rejuvenescer" - Belchior (cantada pela Elis, obviamente)
Na classe de Pitchuca, são pouquíssimas as crianças que utilizam a mesma mochila por mais de um ano (e Pitchuca é uma delas, claro). Mas a dela já está bem velhinha, na hora de trocar. Dei uma olhada e fiquei de cabelo em pé: os preços estão nas estrelas. Começo a olhar a mochila velha dela com outros olhos, pensando que não está tão velha assim.
Lembrei da minha mochila do ginásio cansada de guerra. Foi ela por todos os anos (nem lembro se só no ginásio ou se também no 2o grau) e a bichinha foi aposentada por absoluta incapacidade de continuar em serviço.
E lembrei também da minha inseparável calça jeans (foto ao lado, clica nela para ampliar). Linda, velha, surrada. Fiel companheira de tantos, mas tantos anos de escola. Saía do varal para o corpo, que tristeza quando demorava a enxugar. Quem estudou comigo certamente lembra dela. Numa das inúmeras vezes que pulei a janela da minha sala com a grade quebrada e enferrujada para chegar mais rapidamente na quadra, minha calça rasgou bem ali, logo embaixo da... Pensei: é melhor ficar com um pedacinho de bunda aparecendo ou usar outra calça? Optei pela bunda de fora e continuei com ela por alguns outros anos.
Velhos bons tempos...
"Você não sente não vê / Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo / Que uma nova mudança em breve vai acontecer / O que há algum tempo era novo, jovem / Hoje é antigo / E precisamos todos rejuvenescer" - Belchior (cantada pela Elis, obviamente)
islashado por Julie #
9/16/2004 11:56:00 AM
September 15, 2004
Voltando para casa, na rua:
- Ah, Giu, você não sabe falar português...
- Io sabe sim, minha mãe...
Essa manhã, em casa, na hora de ir à escola:
- Giu, mamma fez pra você levar pra escola um panino con la marmellata (panino = pão)
- Ah, no. Non mi piace la marmellata (ah, não, eu não gosto de marmellata)
- Giu, mas é a marmellata de abóbora deliciosa que mamãe fez ontem.
- (pausa para pensar) Aaaaahhhh, mas é geléia? Mi piace geléia! (eu gosto de geléia)
- Ah, Giu, você não sabe falar português...
- Io sabe sim, minha mãe...
Essa manhã, em casa, na hora de ir à escola:
- Giu, mamma fez pra você levar pra escola um panino con la marmellata (panino = pão)
- Ah, no. Non mi piace la marmellata (ah, não, eu não gosto de marmellata)
- Giu, mas é a marmellata de abóbora deliciosa que mamãe fez ontem.
- (pausa para pensar) Aaaaahhhh, mas é geléia? Mi piace geléia! (eu gosto de geléia)
islashado por Julie #
9/15/2004 01:42:00 PM
Ando totalmente e absolutamente sem tempo. Mil coisas no trabalho, as aulas das crianças recomeçaram, sexta é o aniversário de Cami e eu sou obrigada (sim, obrigada) a fazer pelo menos um bolinho. Neguinho anda ameaçando me chamar de mãe desnaturada se eu decidir não fazer nada. Afinal, palavras de "neguinho", a menina está fazendo 10 anos, é uma idade especial, blá-blá-blá. Neguinho, vou fazer sim o tal bolinho (adivinhem qual?), don't worry, mas vou convidar no máximo umas 10 amiguinhas dela.
Portanto, querendo ou não querendo, tenho mil coisas para fazer. Perdoem a falta de notícias, posts, comentários, emails (aliás, estou tão atrapalhada com meus emails que nem lembro a quem escrevi e a quem não).

Portanto, querendo ou não querendo, tenho mil coisas para fazer. Perdoem a falta de notícias, posts, comentários, emails (aliás, estou tão atrapalhada com meus emails que nem lembro a quem escrevi e a quem não).

islashado por Julie #
9/15/2004 11:56:00 AM
September 08, 2004
Voltamos na segunda mas só agora estou podendo escrever. Passamos 10 dias gostosos em San Nicola Arcella, cidadezinha da Calabria, onde a família de Lello tem uma casa.
Fomos só nós quatro e foi muito relaxante. San Nicola é uma gracinha mas além de praia não tem muito para se fazer. Foram, literalmente, 10 dias numa cadeira de praia. Por sorte, todos os dias foram deliciosos, tinha um solzinho gostoso e pouca gente na praia (coisa muito importante). E o mar é deslumbrante, transparentíssimo.
No último final de semana, sogrinha foi ficar conosco e, como vocês sabem, nos damos muito bem, adorei a companhia dela.
As crianças se esbaldaram, brincaram horrores. Pitchuco está loiríssimo, bronzeado, um peixinho aprendendo a nadar, fazendo mil mergulhos e dormindo sem fralda. Pitchuca está negona, uma verdadeira mocinha que se preocupa em ficar sem marca de biquíni, nada direitinho mas quando mergulha tapa o nariz.
Eu, como sempre, passei todos os dias embaixo do sombreiro. Li "1984", de George Orwell (leiam, leiam, leiam). Aliás, cidade pequena demais é ruim porque nem livraria que preste tem. Acabei logo o livro (que levei de casa) e não achei nenhum que prestasse para comprar. Maridinho, se deixasse, tinha ficado mais dias por lá porque estava realmente muito gostoso mas o dever nos chamava.
Para quem aguardava fotos, só mesmo as recicladas do ano passado porque nem levei máquina nem comprei uma descartável (podem jogar pedra). Mas, à parte o corte de cabelo de Giuseppe e a altura de Camila, foi tudo igualzinho. Estão no meu álbum online, em "Férias 2003".
islashado por Julie #
9/08/2004 07:33:00 PM



